segunda-feira, abril 26, 2010

Espíritos de porco.


Tenho ‘convivido’ com esse tipo de gente faz um tempo. Eles me provocam reações diversas: sinto repulsa, sinto medo, sinto desânimo, às vezes acho até graça, mas acho que a sensação que prevalece mesmo é a compaixão. Porque eles são tão recalcados, que não conseguem se manifestar no mundo de outra forma a não ser sendo cruéis, ranzinzas, complicando situações ou causando constrangimentos à vida alheia. A única coisa que possuem para exibir é isso: seu espírito de porco.

Segundo Ari Riboldi, em seu livro O bode expiatório; “A origem da expressão vem da má fama do porco, embora injusta, sempre associada à falta de higiene, à sujeira e - inclusive - à impureza, ao pecado e ao demônio, conforme alusões feitas no texto bíblico do Antigo e do Novo Testamento.”

Mas o que leva um ser a exercitar o espírito de porco?
Despeito, loucura, ódio, ócio, necessidade de  auto-afirmação, ‘superioridade’, ou infelicidade?
Seria muita pretensão da minha parte vir aqui decretar quem é feliz ou infeliz de acordo com a minha ótica particular, como se felicidade fosse algo que pudesse ser simplesmente visualizado... Mas se formos parar pra pensar, o espírito de porco nada mais é do que uma exposição despudorada de infelicidade. Como o ser não se suporta, e muito menos a vida alheia, detona com tudo e todos que vê pela frente.
Os espíritos de porco, sem ter nada mais produtivo pra fazer, deixam registradas suas manifestações de rancor, ódio, crueldade, superioridade, autoconfiança, numa exibição constrangedora de estreiteza mental. Porque o espírito de porco não é apenas uma pessoa com o humor mal-lapidado. Ele é um ignorante com empáfia.
Se fossem poucos, nada a temer. Mas a tacanhice é uma epidemia bem mais assustadora do que qualquer gripe. Ainda mais agora, ao terem um teclado à disposição e o anonimato garantido (às vezes nem se dão o trabalho de se esconder), expõe toda sua miséria intelectual e afetiva.
Procuro ser indiferente a esse tipo de ‘gente’, tenho auto-estima bem resolvida e não dou a mínima a certos ‘desaforos’ (no fundo me soam mais como piadas). Eu fico chateada mesmo é quando quem me critica , ou algo do tipo, tem razão. Chateada comigo! Mas quando é apenas grosseria, molecagem, rancor retraído, ignorância, ou falta do que fazer; simplesmente ignoro e só lamento o fato de existir tanto espírito de porco solto por aí. E há os casos divertidos, como aqueles "desafetos íntimos" que me detonam com uma regularidade espantosa, dando o maior ibope de que são meus seguidores fiéis. Fico pensando que devem estar desempregados ou sem namorado(a) para ter tanto tempo sobrando para ler e ver o que 'não gostam'. Eu, ao menos, não homenageio aqueles que não me interessam. O contrário do amor não é o ódio, e sim a indiferença. Quem ‘odeia’ está mais envolvido do que supõe... São os espíritos de porco, ganhando voz e propagando a mediocridade universal.



Ps.: Texto meu, com um ‘Q’ de Martha Medeiros.

3 comentários:

Malu Attaque disse...

Menina, poucos blogs me chamam a atenção como fez o seu.
Gostei mesmo, de verdade. Você escreve muito bem, é reflexiva e esse 'Q' de Martha Medeiros ficou ótimo!
Excelente, vou visitar sempre!
Um beijo!

http://lanternadealhures.blogspot.com

ps: o layout é lindo!

Malu Attaque disse...

Que nada, o comentário foi de coração mesmo.. Não costumo comentar em blogs inúteis e sem conteúdo! Estou te seguindo também no twitter, moça!
Beijos!

Rosa Couto disse...

já li esse texto da Marta medeiros e ela foi muito feliz ao dizer o antônimo de "amor". Afinal, pra mim, ódio é apenas uma das formas de demonstrar o amor
HAIUahiuHAIUhaiuH