sábado, outubro 02, 2010

Eleições 2010.

 

Tenho plena consciência de que não sou patriota o bastante a ponto de vir aqui expor minhas defesas em relação ao Brasil, tampouco tenho a pretensão de tentar fazer algum tipo de campanha política ou afins... É que, hoje eu estava pensando: “Poxa, o Brasil tem toda ‘essa coisa’ maravilhosa (não que eu goste, mas enfim, ele tem!), que todo mundo fica maravilhado a ponto de não conseguir explicar, mesmo com tantas injustiças e tantos governos lamentáveis... Custava, ao menos uma vez, o povo parar só um pouquinho para pensar com clareza? Ao menos desta vez?”
Vejam bem, eu posso não morrer de amores pela minha nação; mas sinceramente, eu realmente queria poder sentir orgulho do meu país – sim, porque querendo ou não eu nasci aqui, então, ele é meu – mas não aquele orgulho que a maioria das pessoas sentem quando se referem ao Brasil apenas como o país do carnaval, de mulheres lindas (leia-se bundudas ou frutas)... Queria ter orgulho de coisas profícuas, e não do medíocre. Queria poder me orgulhar de dizer que meus futuros filhos não vão precisar sair de perto de mim para poder estudar em uma escola digna, porque o governo priva pela a educação. Queria poder ter orgulho de  dizer que economizo em não precisar pagar um plano de saúde privado, porque o SUS deixou de ser perfeito só na teoria e foi devidamente colocado em prática. Queria poder ter orgulho em ver algo construtivo em meu país e poder dar todo o crédito aos governantes honestos que se esforçaram para darem o seu melhor pela nação. Queria poder ter orgulho em ver um trabalhador, aposentado, colhendo TODOS os frutos de seus esforços... Ah, como eu queria, de verdade!
Infelizmente, pelo andar da carruagem, é bem provável que amanhã, mais uma vez, eu não vá sentir orgulho do Brasil. O país (povo) chegou a um estágio, em que qualquer esmola parece ser o suficiente para comprar sua alma. A impressão que se tem, é que do jeito que ta, ta bom; que “todos” passaram a se contentar com o medíocre. E vai continuar assim, acomodado, porque o país (povo) não tem a coragem de tentar mudar essa MERDA. Pronto, falei!

Só mais um desabafo, a título de reflexão...

"Não que dia de eleição não seja importante, mas vamos lembrar que, seja quem for que vá tomar decisões políticas daqui por diante, você continuará sendo dono e senhor da sua vida, é de você próprio que depende o futuro: das coisas que você elegeu sozinho.
Nenhum candidato impedirá você de ler o que quiser
e de dormir na hora que bem entender. Da sua liberdade, cuida você. Então, cuide mesmo.
Segunda os jornais estamparão os nomes dos vitoriosos, e você estará satisfeito por ter votado no homem certo ou insatisfeito por terem eleito aquele que você não queria,
e as coisas vão mudar, mesmo, é muito pouco. As escolhas decisivas da sua vida seguirão sendo suas, apenas.
Então deixe a vida continuar acontecendo no território que você domina, vá fazer sua caminhada como faz todos os dias, que isso nunca será impedido por decreto, e aproveite que está apaixonado para se declarar tão insistentemente que chegue ao ponto de duvidar que possa amar tanto, e se não estiver amando, trate de se abrir com urgência para esse sentimento que, entra governo e sai governo, não muda e não perde a importância.
A vida segue acontecendo nos detalhes, nos desvios, nas surpresas, nas alterações de rota que não são determinadas pelas urnas, mas por um olhar que você ainda não havia percebido, por uma palavra que você não esperava escutar e por fim escutou.
Poderíamos estar aqui conversando - eu daqui, você daí - sobre como está difícil ter esperança, sobre quantas decepções já engolimos, mas vamos evitar essa discussão e pegar um atalho, outro caminho, lembrar de quanta coisa já escolhemos e deu certo,
em quanta gente depositamos nossa confiança e que não nos faltou, em como já sofremos por pouca coisa e por muita coisa, e por todas elas nos tornamos mais fortes e preparados, então que venha o que vier, nada há de nos pegar desprevenidos,
política nunca é mesmo algo muito original: mesmo sem bola de cristal podemos visualizar no horizonte o que irá repetir-se.
No entanto, o futuro poderá ser absolutamente inusual, e a política não terá nada a ver com isso. Prepare-se para fazer alguma escolha: entrar ou não num negócio, gastar ou não um dinheiro, aceitar ou não um convite, sorrir ou não para alguém. Sabe-se lá o que essa decisão trivial poderá fazer pela sua vida que o próximo governo não poderá.
Você já passou por tantas eleições pessoais: escolheu sua profissão, a cor do seu cabelo, o nome que seus filhos têm, o time para o qual torce, a roupa que está usando bem agora. Quem é que está no comando? Ora. Faça o que bem quiser deste seu dia e dos dias que virão.
Votar é obrigatório, mas viver é muito mais."

"Hoje e depois de hoje" - Martha Medeiros


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