Ontem fiquei tão encantada com as sábias palavras que a Rafa Guerra do blog Cheiro de Café conduziu em seu post sobre a "implantação de máquinas de preservativos nas escolas públicas", que resolvi compartilhá-lo aqui no blog.
Vamu transar, galera!
O Ministério da Saúde vai implantar, nas escolas públicas do país, máquinas de preservativo. Sei que a notícia não é nova, mas não posso deixar passar em branco. A iniciativa está sendo criticada pelos conservadores caretas, mas já está decidido. Cabe a cada escola decidir se vai querer a máquina ou não.
Os que são a favor, dizem que a maioria dos adolescentes tem vida sexual ativa e que, portanto, não adianta tapar o sol com a peneira. Eles acreditam também que isso vai ajudar a combater as doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez precoce, já que os jovens não utilizam camisinha hoje em dia porque muitos não têm dinheiro para comprar.
Ultimamente, tem sido assim: dá-se uma justificativa imbecil para uma medida igualmente imbecil e pronto. É uma receita infalível. Ouvi dizer que, há algum tempo, o governo distribuiu, também nas escolas públicas, cartilhas sexuais que vão além do ensino técnico e chegam até a dar dicas de sedução para crianças de 13 anos. É o fim da picada!
Na minha época de escola, tive eduação sexual. Lembro-me até hoje da primeira aula. Foi nela que aprendi o que era, de fato, a menstruação. Durante todo o ano, tivemos aulas técnicas, inclusive com recursos audiovisuais, que ensinaram direitinho o que é o sexo e, principalmete, as consequências da sua prática. Não precisa ser religioso para saber que o principal objetivo do sexo é a procriação e que, portanto, a gravidez é uma coisa bem provável de acontecer quando você o pratica. Todas as mudanças hormonais que ocorrem no corpo na hora do sexo têm o objetivo de promover a fecundação. A mulher, inclusive, tem mais desejo sexual no período fértil. Isso é um fato. É a natureza. Até um ateu reconhece. Então, por que dar dicas de sedução e incentivar ao sexo uma criança que não pode nem arcar com essa consequência? Será que é porque o aborto será o próximo item do pacote? É como se alguém dissesse: "olha, vai lá, seduz assim, faz essa posição assim, diz essas coisas aqui no pé do ouvido, coloca a camisinha desse jeito que é legal e, se por um acaso a camisinha estourar e rolar uma gravidez, a gente faz um aborto." Tudo bem que usando camisinha fica muito difícil engravidar, mas fazer sexo é assumir o risco.
Outro ponto é a questão das doenças sexualmente transmissíveis. Eu conheço gente que teve acesso a toda informação do mundo e que tem dinheiro suficiente para fazer um estoque enorme de camisinhas e, mesmo assim, transa sem preservativo com desconhecidos. Então, para mim, essa história não cola. O máximo que o governo pode e deve fazer é informar, "conscientizar". Aliás, o próprio governo já oferece preservativos nos postos de saúde e isso já é mais do que suficiente. Colocar uma maquininha na escola vai incentivar o sexo indiscriminado, além de suscitar a curiosidade de forma artificial daqueles que ainda não estão pensando no assunto.
Antigamente, a descoberta do sexo se dava naturalmente, desde a primeira infância. O processo acelerava na puberdade, os namoros iam fazendo a gente descobrir as coisas aos poucos, até chegar ao sexo de fato que, por ser algo desincentivado (mas que nem por isso deixava de acontecer), era feito com mais cautela. Não sou contra o sexo antes do casamento, nem sou contra a pessoa ter experiências sexuais com quantos parceiros achar por bem ter ao longo da vida. Acredito que a procriação seja o principal objetivo do sexo e não o único. Mas acho que sexo é coisa séria e tem que acontecer com maturidade física, mental e emocional. Uma criança de 13, 14, 15 anos não tem maturidade para isso. Esse incentivo do governo deveria ser enquadrado nos crimes de assédio sexual e pedofilia.
Adolescentes do meu Brasil que leem este blog e que, porventura, ainda são virgens. Não há nada de mal nisso. Você não é pior nem melhor do que seus amigos não-virgens. Faça o que a sua consciência e seu bom-senso mandarem. O governo NÃO vai assumir a responsabilidade pelos seus atos. A função dele é apenas dar a corda...
(Por Rafa Guerra)
Digníssimo post!
Esse semestre comecei o meu estágio do curso de enfermagem, e tenho acompanhado de perto essa situação lamentável entre os adolescentes. Inclusive, semana passada, ministrei uma palestra em um centro comunitário sobre "Gravidez na Adolescência", e fiquei inquieta com a curiosidade exagera de meninas de 11 a 13 anos sobre o ‘assunto’ (sexo)...
É sim preocupante a forma deturpada que o governo sempre apresenta para amenizar problemas "simples" como esse. O grande mal, é que eles sempre procuram o meio mais “fácil”. Todo mundo quer solucionar o problema em si, quando na verdade, seria muito mais simples e barato procurar solucionar a causa do problema. Neste caso, incentivo a pesquisas acadêmicas, educação sexual continuada e consequentemente em saúde, e tantas outras opções muito mais viáveis e dignas. Pude notar a necessidade de diálogo que existe em meio a esse público, acho até, que talvez esteja aí o X da questão. Ao final da palestra, foi gratificante notar que aquelas “mocinhas” saíram dali satisfeitas com os esclarecimentos. Muitas até me agradeceram, relatando que em casa as mães não conversavam, que muitas até eram incentivadas a namorar bem novinhas (tipo, ainda brincando de boneca) e que na escola nunca se falava claramente sobre o assunto... É, eu sei, parece inacreditável que em meio a tanto sexo escrachado –TV, revistas, músicas, etc – ainda exista esse bloqueio na hora de se falar com responsabilidade sobre sexo.
Muito se fala em tabu e blábláblá na hora de falar adequadamente sobre sexualidade, mas na hora de arcar com as consequências de medidas esdrúxulas como essa, todo mundo tenta se justificar levando a sexualidade como a coisa mais banal do mundo. Lamentável!
É sim preocupante a forma deturpada que o governo sempre apresenta para amenizar problemas "simples" como esse. O grande mal, é que eles sempre procuram o meio mais “fácil”. Todo mundo quer solucionar o problema em si, quando na verdade, seria muito mais simples e barato procurar solucionar a causa do problema. Neste caso, incentivo a pesquisas acadêmicas, educação sexual continuada e consequentemente em saúde, e tantas outras opções muito mais viáveis e dignas. Pude notar a necessidade de diálogo que existe em meio a esse público, acho até, que talvez esteja aí o X da questão. Ao final da palestra, foi gratificante notar que aquelas “mocinhas” saíram dali satisfeitas com os esclarecimentos. Muitas até me agradeceram, relatando que em casa as mães não conversavam, que muitas até eram incentivadas a namorar bem novinhas (tipo, ainda brincando de boneca) e que na escola nunca se falava claramente sobre o assunto... É, eu sei, parece inacreditável que em meio a tanto sexo escrachado –TV, revistas, músicas, etc – ainda exista esse bloqueio na hora de se falar com responsabilidade sobre sexo.
Muito se fala em tabu e blábláblá na hora de falar adequadamente sobre sexualidade, mas na hora de arcar com as consequências de medidas esdrúxulas como essa, todo mundo tenta se justificar levando a sexualidade como a coisa mais banal do mundo. Lamentável!
Um comentário:
É claro q não me importo, fico é vaidosa hehehe Faz parte da blogosfera. E ainda mais quando se trata de um assunto sério desses, né? Beijinho
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